A
incerteza me comove. Eu me olho no espelho todos os dias pra conferir se sou eu
mesma que estou ali. O meu eu enantiomorfo me retorna um olhar desconfiado,
querendo saber se aquela ali é a mesma do dia anterior.
Eu queria ser comum, juro que queria,
mas eu não consigo. Eu não sei ser assim. Não aceito ser limitada. Não aceito
ser subestimada, não aceito ser superestimada. Só aceito que me estimem.
Eu sempre pergunto por que. Quero saber
o porquê de tudo. Não entro na fila sem saber porque e não saio sem saber
também.
Seria bem mais simples se eu engolisse
tudo o que me enfiam goela abaixo com resignação. Todo mundo faz isso. Mas eu não.
Eu cuspo, eu vomito o quanto for necessário.
Eu juro que eu queria ser comum.
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